São Paulo, 10 de Fevereiro de 2013, 20:34.
Noite fria, caia uma garoa fraca mas que já começava a incomodar. Já fazia uma semana que não falava com a Júlia, estava sentindo falta dela. Sabe como é a gente se acostuma com essas coisas, ter casa, emprego, alguém do seu lado...
Naquele momento já não tinha certeza de nada. Não aparecia em casa há algum tempo e, convenhamos, não havia nada lá além de coisas velhas e lembranças de uma vida que já não era minha. Ir lá só por "protocolo"? Não! Eu estava mesmo a fim de aproveitar um pouco a vida. Só não sei porque tenho esse estranho fascínio pelo centro de São Paulo, sempre tive essa obsessão em saber como é a vida num lugar tão perverso. Estranho não é?
Emprego não sabia se ainda tinha, nem se fazia questão dele, essas coisas não são prioridade! Daria dois telefonemas e conseguiria o emprego que eu quisesse!
Já a Júlia era outra história... Porra, já fazia uma semana! Será mesmo que ela havia me deixado e me esquecido? Tínhamos problemas mas isso é normal! Não saía da minha cabeça, por mais que eu tentasse, ficavam repetindo sempre as mesmas palavras... -"Para mim já chega! Acabou!"
Ficava pensando se ela havia falado sério...
Estava andando pela rua, como de costume, e logo me deparo com uma figura, um homem negro alto, apesar de magro não parecia nada debilitado, com uma roupa de militar bem velha e gasta... Ora, era um mendigo militar! Nunca havia visto nada do gênero...
- Ei, você tem um cigarro para me arranjar? - Perguntou o mendigo militar
- Eu não! Isso dá câncer e um monte de outras doenças e complicações. - Disse com o ar mais moralista do mundo, só de sacagem
- Entendo. O trânsito está lento sentido Centro / Norte.
- O quê? Do que está falando?
Naquele momento já não tinha certeza de nada. Não aparecia em casa há algum tempo e, convenhamos, não havia nada lá além de coisas velhas e lembranças de uma vida que já não era minha. Ir lá só por "protocolo"? Não! Eu estava mesmo a fim de aproveitar um pouco a vida. Só não sei porque tenho esse estranho fascínio pelo centro de São Paulo, sempre tive essa obsessão em saber como é a vida num lugar tão perverso. Estranho não é?
Emprego não sabia se ainda tinha, nem se fazia questão dele, essas coisas não são prioridade! Daria dois telefonemas e conseguiria o emprego que eu quisesse!
Já a Júlia era outra história... Porra, já fazia uma semana! Será mesmo que ela havia me deixado e me esquecido? Tínhamos problemas mas isso é normal! Não saía da minha cabeça, por mais que eu tentasse, ficavam repetindo sempre as mesmas palavras... -"Para mim já chega! Acabou!"
Ficava pensando se ela havia falado sério...
Estava andando pela rua, como de costume, e logo me deparo com uma figura, um homem negro alto, apesar de magro não parecia nada debilitado, com uma roupa de militar bem velha e gasta... Ora, era um mendigo militar! Nunca havia visto nada do gênero...
- Ei, você tem um cigarro para me arranjar? - Perguntou o mendigo militar
- Eu não! Isso dá câncer e um monte de outras doenças e complicações. - Disse com o ar mais moralista do mundo, só de sacagem
- Entendo. O trânsito está lento sentido Centro / Norte.
- O quê? Do que está falando?
- Te perguntei se você tinha um cigarro para me arranjar. Você não me deu nenhum, e me deu uma informação que eu não pedi. Então eu lhe dei uma informação que você não pediu e nenhum cigarro. Estamos quites! - Filho da mãe... Gostei desse cara
Realmente achei muito interessante a desenvoltura daquele sujeito em meio a um ambiente tão duro, além de lidar tão bem com a rejeição. Fora que inteligência e senso de humor são coisas que eu admiro.
- Ei! - O chamei
- Diga... - Disse como se já esperasse alguma reação ruim de minha parte
- Eu compro! Qual Cigarro você quer?
- Pode ser aquele de filtro vermelho, de caixinha. - Específico, não?...
- Está bem, espere aqui. - Entrei num boteco próximo e comprei o cigarro tão esperado
- Muito obrigado moço. Se tiver algo que eu possa fazer...
Pensei que seria bom fazer "amigos" ou pelo menos conhecer gente que entendesse como as coisas funcionavam por lá.
- Meu nome é Lucas. Qual o seu?
- Gregório! Mas todos me chamam de Coronel Azeitona... Sabe, por causa da farda. - Mostrou aquele farrapo sujo com o maior orgulho do mundo
- Olha, faz eu novo nesse "negócio" de morar por aqui e gostaria de saber se você pode me mostrar os "caminhos"?
- Novo em quê? Você não conhece a cidade?
- Não essa parte da cidade, o centro. Nesse momento eu estou morando num hotel, mas logo vou ficar sem dinheiro e preciso me organizar.
- Não entendo o que você faz aqui! Acha que é algum tipo de brincadeira?! Se fosse meu filho lhe dava uma surra! - Fiquei com medo na hora, o cara era grande
- Não senhor Gregó...
- Coronel Azeitona! - Me interrompeu com um ar meio autoritário, coisa de militar.
Realmente achei muito interessante a desenvoltura daquele sujeito em meio a um ambiente tão duro, além de lidar tão bem com a rejeição. Fora que inteligência e senso de humor são coisas que eu admiro.
- Ei! - O chamei
- Diga... - Disse como se já esperasse alguma reação ruim de minha parte
- Eu compro! Qual Cigarro você quer?
- Pode ser aquele de filtro vermelho, de caixinha. - Específico, não?...
- Está bem, espere aqui. - Entrei num boteco próximo e comprei o cigarro tão esperado
- Muito obrigado moço. Se tiver algo que eu possa fazer...
Pensei que seria bom fazer "amigos" ou pelo menos conhecer gente que entendesse como as coisas funcionavam por lá.
- Meu nome é Lucas. Qual o seu?
- Gregório! Mas todos me chamam de Coronel Azeitona... Sabe, por causa da farda. - Mostrou aquele farrapo sujo com o maior orgulho do mundo
- Olha, faz eu novo nesse "negócio" de morar por aqui e gostaria de saber se você pode me mostrar os "caminhos"?
- Novo em quê? Você não conhece a cidade?
- Não essa parte da cidade, o centro. Nesse momento eu estou morando num hotel, mas logo vou ficar sem dinheiro e preciso me organizar.
- Não entendo o que você faz aqui! Acha que é algum tipo de brincadeira?! Se fosse meu filho lhe dava uma surra! - Fiquei com medo na hora, o cara era grande
- Não senhor Gregó...
- Coronel Azeitona! - Me interrompeu com um ar meio autoritário, coisa de militar.
- Claro, Coronel Azeitona! Eu estou passando por um momento complicado e estou querendo curtir uma experiência diferente.
- Entendo. Olha garoto, acho isso uma burrice, mas eu não tenho que achar nada. Se precisar de alguma coisa me procure, estou sempre pelas ruas, mas não ache que um maço de cigarros é um contrato.
O "Coronel" era uma cara legal e habilidoso, parecia completamente adaptado a essas condições extremas. Ele carregava um carrinho de compras velho e cheio de tranqueiras e vendia uns gorós baratos, uma mistura de álcool de limpeza com xarope de groselha, não tomaria aquilo nem morto! E no meio daquele monte tralha tinha algo interessante, um rádio amador! Sei lá se ele montou, comprou, ou roubou, só sei que pegava a rádio da polícia, bombeiros, táxi, emergência, pegava tudo... E estava sempre ligado numa bateria de moto. Ele acenou com a cabeça e foi embora, e tão logo começou se afastar ele se misturou ao "cenário". Cheguei até a admirá-lo por um momento, mas logo percebi que não era muito mais que um mendigo...
Não sei se o fato de alguém estar com roupas tão sujas e velhas o faça fundir-se com a sujeira da cidade, ou se nosso subconsciente é treinado para apargamos ele do nosso campo de visão. São centenas de pessoas largadas pelo chão, pelos bancos, pelas calçadas e pelas praças e ninguém parece vê-las! Só são notados quando estão pedindo dinheiro, assaltando alguém, ou "indignando" as "pessoas de bem" ao usar drogas ou defecar no meio da rua. Mas são poucos os que se indignam ao verem seres humanos ali jogados à própria sorte, e muitos já nascem nessa condição. Acho que poucos são aqueles que os "enxergam" eles como seres humanos. Pode parecer "chover no molhado" mas se um senhor de terno começar a tossir e se apoiar numa parede logo aparecem várias pessoas para ajudá-lo. Entretanto se um mendigo se contorcer de dor no chão, enquanto cospe parte de algum órgão interno, tudo o que ele recebe é o desprezo dos pouco que o percebem ali. Na maioria das vezes eles nascem, vivem e morrem invisíveis.
Parei de divagar a respeito e procurei um lugar para me proteger da garoa, que nessa hora estava começando a piorar. Já estava praticamente todo molhado. Acabei por entrar num café, claro que não sem antes comprar um jornal na banca ao lado. Na verdade nem estava tão interessado em lê-lo...Comprei mais porque me parecia "apropriado" entrar e permanecer dentro de um café portanto um jornal. No fim das contas o jornal passa a ser uma parte do vestuário. Já estava sem guarda-chuva não entraria lá sem jornal!
- O que deseja senhor? - Me perguntou de forma muito educada o garçom
- Um cappuccino e umas rosquinhas, por favor!
- Só um instante senhor. Logo trago seu pedido.
Impressionante como ir num bom café massageia o nosso ego, sobretudo se estivermos bem vestidos e portando um jornal. É como uma masturbação moral! Fiquei imaginando como seria o tratamento se eu aparecesse por lá com meu novo "amigo" Coronel Azeitona. Ou mesmo se poderíamos entrar.
Era um lugar bonito, bem decorado, bem "frequentado" e com excelente atendimento. Apesar que algumas das mesas ficavam onde deveria a calçada, a apropriação era tamanha que havia um toldo para proteger da chuva e uma cerca viva para "proteger" das pessoas, que passavam pelo espacinho que sobrou da calçada.
Comecei a passar o olho pelo jornal e nada me interessava. Lia as matérias e não entendia nada, simplesmente não estava interessado em nada. Mas já que estava com o jornal e nenhuma companhia resolvi que o mais "apropriado" era fingir interesse e continuar lendo. Mas o que eu queria mesmo era ouvir uma voz amigável.
- Senhor, aqui está o cappuccino e as rosquinhas. Deseja mais alguma coisa? - Quase perguntei se eles não serviam uma boa companhia também...
- Não, obrigado.
- Entendo. Olha garoto, acho isso uma burrice, mas eu não tenho que achar nada. Se precisar de alguma coisa me procure, estou sempre pelas ruas, mas não ache que um maço de cigarros é um contrato.
O "Coronel" era uma cara legal e habilidoso, parecia completamente adaptado a essas condições extremas. Ele carregava um carrinho de compras velho e cheio de tranqueiras e vendia uns gorós baratos, uma mistura de álcool de limpeza com xarope de groselha, não tomaria aquilo nem morto! E no meio daquele monte tralha tinha algo interessante, um rádio amador! Sei lá se ele montou, comprou, ou roubou, só sei que pegava a rádio da polícia, bombeiros, táxi, emergência, pegava tudo... E estava sempre ligado numa bateria de moto. Ele acenou com a cabeça e foi embora, e tão logo começou se afastar ele se misturou ao "cenário". Cheguei até a admirá-lo por um momento, mas logo percebi que não era muito mais que um mendigo...
Não sei se o fato de alguém estar com roupas tão sujas e velhas o faça fundir-se com a sujeira da cidade, ou se nosso subconsciente é treinado para apargamos ele do nosso campo de visão. São centenas de pessoas largadas pelo chão, pelos bancos, pelas calçadas e pelas praças e ninguém parece vê-las! Só são notados quando estão pedindo dinheiro, assaltando alguém, ou "indignando" as "pessoas de bem" ao usar drogas ou defecar no meio da rua. Mas são poucos os que se indignam ao verem seres humanos ali jogados à própria sorte, e muitos já nascem nessa condição. Acho que poucos são aqueles que os "enxergam" eles como seres humanos. Pode parecer "chover no molhado" mas se um senhor de terno começar a tossir e se apoiar numa parede logo aparecem várias pessoas para ajudá-lo. Entretanto se um mendigo se contorcer de dor no chão, enquanto cospe parte de algum órgão interno, tudo o que ele recebe é o desprezo dos pouco que o percebem ali. Na maioria das vezes eles nascem, vivem e morrem invisíveis.
Parei de divagar a respeito e procurei um lugar para me proteger da garoa, que nessa hora estava começando a piorar. Já estava praticamente todo molhado. Acabei por entrar num café, claro que não sem antes comprar um jornal na banca ao lado. Na verdade nem estava tão interessado em lê-lo...Comprei mais porque me parecia "apropriado" entrar e permanecer dentro de um café portanto um jornal. No fim das contas o jornal passa a ser uma parte do vestuário. Já estava sem guarda-chuva não entraria lá sem jornal!
- O que deseja senhor? - Me perguntou de forma muito educada o garçom
- Um cappuccino e umas rosquinhas, por favor!
- Só um instante senhor. Logo trago seu pedido.
Impressionante como ir num bom café massageia o nosso ego, sobretudo se estivermos bem vestidos e portando um jornal. É como uma masturbação moral! Fiquei imaginando como seria o tratamento se eu aparecesse por lá com meu novo "amigo" Coronel Azeitona. Ou mesmo se poderíamos entrar.
Era um lugar bonito, bem decorado, bem "frequentado" e com excelente atendimento. Apesar que algumas das mesas ficavam onde deveria a calçada, a apropriação era tamanha que havia um toldo para proteger da chuva e uma cerca viva para "proteger" das pessoas, que passavam pelo espacinho que sobrou da calçada.
Comecei a passar o olho pelo jornal e nada me interessava. Lia as matérias e não entendia nada, simplesmente não estava interessado em nada. Mas já que estava com o jornal e nenhuma companhia resolvi que o mais "apropriado" era fingir interesse e continuar lendo. Mas o que eu queria mesmo era ouvir uma voz amigável.
- Senhor, aqui está o cappuccino e as rosquinhas. Deseja mais alguma coisa? - Quase perguntei se eles não serviam uma boa companhia também...
- Não, obrigado.
Já quando estava conformado com a minha situação ouço uma discussão..
- Ah, sai daqui! Não enche meu saco porra! - Gritou um senhor gordo e "elegante" que transbordava de arrogância
- Mas só perguntei se queria comprar umas flores para moça. - Retrucou a vendedora de flores
- Não me interessa, você está incomodando! Olha para você! Pelo amor de Deus!
- O que tem eu?
- O que tem você?! Você não devia nem me dirigir a palavra! Sua mendiga! Seu lixo!
- Eu trabalho, não sou mendiga!
- Moça, a senhorita precisa sair daqui! - Disse o segurança do local
- Sair daqui?! Aqui é a calçada! É local público!
Ela acabou por sair dali, indignada mas, de certa forma, conformada. Quando ela passou pela cerca ao meu lado a chamei.
- Ei moça!
- O quê? - A voz triste quase não saiu
- Eu quero duas rosas.
- Quer? São cinco reais.
- Aqui está.
- Muito obrigado. - Disse realmente feliz pela venda
- Posso te perguntar uma coisa?
- Pode.
- Qual o seu nome?
- Alice, porquê? - Começou a ficar desconfiada
- Por nada. Meu nome é Lucas. Eu estava aqui pensando que seria muito bom ter uma companhia agradável para conversar. E eu vi o que o escroto ali fez contigo. E eu gostaria de te chamar tomar um café comigo.
- Por que você nem me conhece?!
- Mas quero conhecer! Eu não conheço ninguém por aqui, sou novo no centro!
- Ah, sai daqui! Não enche meu saco porra! - Gritou um senhor gordo e "elegante" que transbordava de arrogância
- Mas só perguntei se queria comprar umas flores para moça. - Retrucou a vendedora de flores
- Não me interessa, você está incomodando! Olha para você! Pelo amor de Deus!
- O que tem eu?
- O que tem você?! Você não devia nem me dirigir a palavra! Sua mendiga! Seu lixo!
- Eu trabalho, não sou mendiga!
- Moça, a senhorita precisa sair daqui! - Disse o segurança do local
- Sair daqui?! Aqui é a calçada! É local público!
Ela acabou por sair dali, indignada mas, de certa forma, conformada. Quando ela passou pela cerca ao meu lado a chamei.
- Ei moça!
- O quê? - A voz triste quase não saiu
- Eu quero duas rosas.
- Quer? São cinco reais.
- Aqui está.
- Muito obrigado. - Disse realmente feliz pela venda
- Posso te perguntar uma coisa?
- Pode.
- Qual o seu nome?
- Alice, porquê? - Começou a ficar desconfiada
- Por nada. Meu nome é Lucas. Eu estava aqui pensando que seria muito bom ter uma companhia agradável para conversar. E eu vi o que o escroto ali fez contigo. E eu gostaria de te chamar tomar um café comigo.
- Por que você nem me conhece?!
- Mas quero conhecer! Eu não conheço ninguém por aqui, sou novo no centro!
- Eles não vão deixar eu entrar! Não viu como o segurança falou comigo...
- Não se preocupe, eu falo a língua deles! A linguagem monetária! Se você tem dinheiro é Deus. E eu não quero ter que ficar aqui sozinho lendo um jornal com coisas que não me interessam. Me interessei por você.
- Se você conseguir que eu entre tudo bem... - Incrédula
Chamei o garçom e paguei a conta. Então saí para encontrá-la do lado de fora do café.
- Desistiu do café? - Disse como se já esperasse por isso
- Eu não! Vim buscá-la, não seria educado esperar por você lá dentro.
Fomos para a entrada do café e logo fomos parados pela hostess. Que figura mais detestável! Uma moça com um sorriso congelado no rosto e um olhar frio, que mais parecia uma arma apontada para nós. Ela era a responsável por manter o cinismo e a homogeneidade dos frequentadores. Era como uma inspetora numa linha de montagem, toda peça que fugisse do padrão deveria ser retirada da linha e mandada para o incinerador...
- Pois não, no que posso ajudar? - Disse ela torcendo desesperadamente para que não entrássemos, embora não pudesse demonstrar
- Queremos uma mesa para dois.
- Não sei se será possível...
- Ah é? E qual o problema?
- Ela, senhor.
- Claro, eu... - Disse, Alice, decepcionada
- E qual o problema com ela? - Eu sabia mas queria ouvir da boca dela
- Ela não atende ao nosso código de vestimenta. - Filha da puta!
- Ah... É isso então... Por que não põem logo uma placa aqui na fachada escrito; "Proibido pobres!" Isso é um absurdo!
- Lamento senhor mas regras, são regras. - Disse com aquele sorriso maligno e cínico no rosto
- Eu entendo vocês!
- Entende? Que bom então voc...
- Eu entendo que dinheiro é a única coisa que importa! Venha cá!
- O que senhor?
A chamei, me aproximando de seu ouvido, e sussurrei bem baixinho:
- Olha, eu sei que você não faz as regras, mas também sei que é você quem determina quem entra e quem não. Não quero problemas, só quero entrar tomar café e conversar com minha amiga. Eu tenho dinheiro para pagar a conta e tenho dinheiro também para, quem sabe, um eventual agrado a sua pessoa...
- Entendo sua condição, senhor. - Um tanto desconcertada
- Então poderemos entrar? - Disse a Alice
- Sim. Mas não poderão ficar no salão principal, somente naquela mesa ali. - Apontou para a mesma mesa no canto onde eu havia ficado.
- Ótimo! Ficaremos lá então. Agradeço a sua compreensão! - E espero que tenha uma morte terrível...
Caminhamos até a mesa sob os olhares de reprovação de praticamente todos no local. Eles são "educados" demais para se manifestarem, mas se pudessem, nos espancariam com suas carteiras e cartões de crédito. Enquanto andávamos eu observava a Alice, como era bonita... Dava para ver que por baixo daquelas roupas velhas e todo aquele cansaço do trabalho havia uma garota linda.
- Nossa, é estranho isso! - Acho que nunca havia entrado num lugar assim
- É bem legal, se você tem dinheiro então, maravilhoso!
- Não sei como deve ser.
- Não ainda, quem sabe um dia. Vem cá, você mora onde?
- Não é debaixo da ponte se é o que quer saber. Moro num quarto que divido com outras três garotas, mas pelo menos não é na rua.
- É próximo daqui?
- Sim mas nem se anime, homens não entram. E eu mal te conheço! - Tentando tirar minhas esperanças
- Não é isso. Eu estou morando num hotel grande que tem aqui por perto também, mas logo eu terei que sair. Ainda tenho dinheiro mas não sei até quando.
- Fala daquele grandão que tem aqui na rua de trás? Não lembro o nome mas é lindo!
- Sim, esse mesmo. Também não me lembro do nome. Mas ele é caro, vou ficar só mais uma semana nele, depois tentarei achar outro mais barato.
- Você não é de São Paulo?
- Não se preocupe, eu falo a língua deles! A linguagem monetária! Se você tem dinheiro é Deus. E eu não quero ter que ficar aqui sozinho lendo um jornal com coisas que não me interessam. Me interessei por você.
- Se você conseguir que eu entre tudo bem... - Incrédula
Chamei o garçom e paguei a conta. Então saí para encontrá-la do lado de fora do café.
- Desistiu do café? - Disse como se já esperasse por isso
- Eu não! Vim buscá-la, não seria educado esperar por você lá dentro.
Fomos para a entrada do café e logo fomos parados pela hostess. Que figura mais detestável! Uma moça com um sorriso congelado no rosto e um olhar frio, que mais parecia uma arma apontada para nós. Ela era a responsável por manter o cinismo e a homogeneidade dos frequentadores. Era como uma inspetora numa linha de montagem, toda peça que fugisse do padrão deveria ser retirada da linha e mandada para o incinerador...
- Pois não, no que posso ajudar? - Disse ela torcendo desesperadamente para que não entrássemos, embora não pudesse demonstrar
- Queremos uma mesa para dois.
- Não sei se será possível...
- Ah é? E qual o problema?
- Ela, senhor.
- Claro, eu... - Disse, Alice, decepcionada
- E qual o problema com ela? - Eu sabia mas queria ouvir da boca dela
- Ela não atende ao nosso código de vestimenta. - Filha da puta!
- Ah... É isso então... Por que não põem logo uma placa aqui na fachada escrito; "Proibido pobres!" Isso é um absurdo!
- Lamento senhor mas regras, são regras. - Disse com aquele sorriso maligno e cínico no rosto
- Eu entendo vocês!
- Entende? Que bom então voc...
- Eu entendo que dinheiro é a única coisa que importa! Venha cá!
- O que senhor?
A chamei, me aproximando de seu ouvido, e sussurrei bem baixinho:
- Olha, eu sei que você não faz as regras, mas também sei que é você quem determina quem entra e quem não. Não quero problemas, só quero entrar tomar café e conversar com minha amiga. Eu tenho dinheiro para pagar a conta e tenho dinheiro também para, quem sabe, um eventual agrado a sua pessoa...
- Entendo sua condição, senhor. - Um tanto desconcertada
- Então poderemos entrar? - Disse a Alice
- Sim. Mas não poderão ficar no salão principal, somente naquela mesa ali. - Apontou para a mesma mesa no canto onde eu havia ficado.
- Ótimo! Ficaremos lá então. Agradeço a sua compreensão! - E espero que tenha uma morte terrível...
Caminhamos até a mesa sob os olhares de reprovação de praticamente todos no local. Eles são "educados" demais para se manifestarem, mas se pudessem, nos espancariam com suas carteiras e cartões de crédito. Enquanto andávamos eu observava a Alice, como era bonita... Dava para ver que por baixo daquelas roupas velhas e todo aquele cansaço do trabalho havia uma garota linda.
- Nossa, é estranho isso! - Acho que nunca havia entrado num lugar assim
- É bem legal, se você tem dinheiro então, maravilhoso!
- Não sei como deve ser.
- Não ainda, quem sabe um dia. Vem cá, você mora onde?
- Não é debaixo da ponte se é o que quer saber. Moro num quarto que divido com outras três garotas, mas pelo menos não é na rua.
- É próximo daqui?
- Sim mas nem se anime, homens não entram. E eu mal te conheço! - Tentando tirar minhas esperanças
- Não é isso. Eu estou morando num hotel grande que tem aqui por perto também, mas logo eu terei que sair. Ainda tenho dinheiro mas não sei até quando.
- Fala daquele grandão que tem aqui na rua de trás? Não lembro o nome mas é lindo!
- Sim, esse mesmo. Também não me lembro do nome. Mas ele é caro, vou ficar só mais uma semana nele, depois tentarei achar outro mais barato.
- Você não é de São Paulo?
- Sou! Nascido e criado! Inclusive tenho uma casa. Mas eu estou morando no centro agora. É meio complicado...
- Deve ser mesmo para alguém sair da própria casa para se enfiar nuns hotéis do centrão. Nada por aqui é bonito e limpo se não for caríssimo.
- Estou passando por um momento difícil. Mas imagino que não seja pior que nada que você tenha vivido.
- Ah... Claro! Quer conversar comigo para que minha vida "horrível" o faça sentir-se melhor com a sua... - Na verdade era quase isso mesmo
- Não! Nada a ver! - Cínico - Não é isso. Eu realmente não gostei de ver alguém ser tratado como você foi. Ainda mais uma garota tão bonita.
- Deixe eu adivinhar... Advogado?
- Eu? Não, porquê?
- Por que mente sem vergonha alguma, deveria considerar a profissão.
- Não estou mentindo...
- Olha eu preciso ir, tenho que trabalhar! Muito obrigado pelo café.
Fico impressionado como eu sou sem jeito com as mulheres, é surpreendente que a Júlia tenha ficado comigo.
- Vai mesmo?
- Preciso. Não estou brincando de morar no centro, preciso ganhar dinheiro para comprar comida. Aliás as rosquinhas estavam ótimas.
- Tudo bem. Espere um instantinho, vou pagar a conta e já volto.
Paguei a conta, troquei umas notas e peguei com o caixa dois pedaços de papel e uma caneta, precisava fazer dois bilhetes.
- Deve ser mesmo para alguém sair da própria casa para se enfiar nuns hotéis do centrão. Nada por aqui é bonito e limpo se não for caríssimo.
- Estou passando por um momento difícil. Mas imagino que não seja pior que nada que você tenha vivido.
- Ah... Claro! Quer conversar comigo para que minha vida "horrível" o faça sentir-se melhor com a sua... - Na verdade era quase isso mesmo
- Não! Nada a ver! - Cínico - Não é isso. Eu realmente não gostei de ver alguém ser tratado como você foi. Ainda mais uma garota tão bonita.
- Deixe eu adivinhar... Advogado?
- Eu? Não, porquê?
- Por que mente sem vergonha alguma, deveria considerar a profissão.
- Não estou mentindo...
- Olha eu preciso ir, tenho que trabalhar! Muito obrigado pelo café.
Fico impressionado como eu sou sem jeito com as mulheres, é surpreendente que a Júlia tenha ficado comigo.
- Vai mesmo?
- Preciso. Não estou brincando de morar no centro, preciso ganhar dinheiro para comprar comida. Aliás as rosquinhas estavam ótimas.
- Tudo bem. Espere um instantinho, vou pagar a conta e já volto.
Paguei a conta, troquei umas notas e peguei com o caixa dois pedaços de papel e uma caneta, precisava fazer dois bilhetes.
- Vamos?
- Vamos.
Refizemos o caminho até a porta sob os mesmo olhares de reprovação, apesar que alguns olhares estavam mais para gozação e pena dessa vez.
Ao passar pela hostess a cumprimentei com um aperto de mão e nesse momento entreguei um pedaço de papel enrolado. Ela sabia o que era, abriu o sorrisão e nos desejou uma boa noite.
Já para Alice eu lhe entreguei umas das rosas que havia comprado dela mesma.- Para você. - Entreguei a rosa
- O que isso? Você a comprou, é sua.
- Mas eu estou te dando, é sua agora. Você passa o dia vendo outras garotas recebendo rosas e, imagino, nunca deve receber uma. A outra vou guardar para me lembrar de você.
- Obrigado. Mas elas morrem logo! Se precisar de uma para se lembrar de alguém é bom começar a pensar onde vai guardá-la quando ela morrer... - Ela parece mesmo ser uma pessoa bastante desiludida
- Tudo bem, eu penso. Dentro dela tem um bilhete que eu escrevi para você, mas só abra em casa. Não venda essa rosa, por favor.
- Ok.
Fui embora, estava certo que a noite não me traria nenhuma outra novidade. Fui para o hotel dormir. Ah... No bilhete para a Alice estava escrito:
- Vamos.
Refizemos o caminho até a porta sob os mesmo olhares de reprovação, apesar que alguns olhares estavam mais para gozação e pena dessa vez.
Ao passar pela hostess a cumprimentei com um aperto de mão e nesse momento entreguei um pedaço de papel enrolado. Ela sabia o que era, abriu o sorrisão e nos desejou uma boa noite.
Já para Alice eu lhe entreguei umas das rosas que havia comprado dela mesma.- Para você. - Entreguei a rosa
- O que isso? Você a comprou, é sua.
- Mas eu estou te dando, é sua agora. Você passa o dia vendo outras garotas recebendo rosas e, imagino, nunca deve receber uma. A outra vou guardar para me lembrar de você.
- Obrigado. Mas elas morrem logo! Se precisar de uma para se lembrar de alguém é bom começar a pensar onde vai guardá-la quando ela morrer... - Ela parece mesmo ser uma pessoa bastante desiludida
- Tudo bem, eu penso. Dentro dela tem um bilhete que eu escrevi para você, mas só abra em casa. Não venda essa rosa, por favor.
- Ok.
Fui embora, estava certo que a noite não me traria nenhuma outra novidade. Fui para o hotel dormir. Ah... No bilhete para a Alice estava escrito:
...
"Espero não ter prejudicado seu dia de trabalho. Para compensar o tempo gasto comigo, e minha necessidade de companhia, estou te deixando essa grana para cobrir seus gastos e suas necessidades.
Não é muito mas ajuda."
Não é muito mas ajuda."
...
Junto havia duzentos reais, em quatro notas de cinquenta. E no bilhete que eu deixei para a hostess? Também fui muito educado e sensível:
...
"PUTA!"
...
Junto havia cinquenta reais, em três notas de dez, duas de cinco, e cinco de dois. E uma bela duma cusparada... Ela mereceu!

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