São Paulo, 5 de Fevereiro de 2013, 19:03.
Estava andando na maior tranquilidade pela rua, ainda esta encantado pela complexidade, pela brutalidade e pela beleza dessa cidade perversa. Ah... São Paulo, como eu poderia ter vivido nela minha vida inteira e não tê-la conhecido como deveria?! Até aquele momento estava conhecendo um mundo novo, fascinante, brutal e viceral, mas, apenas como espectador. À partir dali eu passaria a fazer parte dele, das entranhas da cidade, como se ela estivesse me convidando para interagir, o que eu de fato queria, mas não tinha idéia de onde isso me levaria... e as coisas que isso me levaria a ver e a fazer.
Assim como no dia anterior fui caminhar pela região, pela minha "nova vizinhança". Sempre gostei de andar por aí e reparar nas pessoas, suas fisionomias dizem muito à respeito delas. Mas, claro, não é de bom tom um sujeito ficar encarando as pessoas pela rua, por isso sempre me contive, mas aqui, me parece não fazer a menor diferença.
De repente, quando estava passando por uma praça, tive de encarar, de forma mais realista do jamais havia, a cara violenta da cidade.
- Aí, maluco, 'mim' dá a carteira!
- Vai logo mano, dá logo essa merda, filho da puta! - Me disseram dois pivetes, aos gritos, socos e pontapés.
Com o empurrão, que um deles me deu, eu cai e cortei a mãao numa cesta de lixo. Nunca antes havia sido assaltado, fiquei realmente apavorado, mas não podia deixar barato. Minha carteira era meu passaporte para esse mundo novo, sem ela eu estaria perdido. Tinha que pegá-la de volta! Assim que me levantei já tirei o paletó, o enrolei na mão e me pus a correr atrás daqueles "ladrõesinhos" desgraçados!
Já estava escuro e eles eram muito mais hábeis que eu naquele ambiente, mas a raiva era tanta que eu não desistia!
Mesmo naquela correria toda eu rearava na cara das pessoas, parecia inacreditável ver alguém reagindo e perseguindo aqueles moleques, era quase uma inversão de valores, quase como se eu não tivesse direito de reagir.
E eu continuava correndo, embora eu já estivesse ficando cansado, tão cansado que não consegui desviar de um pontapé que recebi. Foi de um outro garoto que passava pela rua, talvez dois outros dois, quem sabe? Ou, talvez, fosse só um defesa da "categoria". Esse tipo de atividade tem sindicato?! Sei lá! Só sei que cai, cinematograficamente, em cima da grade de um vendedor ambulante de DVDs. Foi DVD para todo lado! E ainda bati as costas num poste, fui xingado pra caramba... Deitado após a queda eu consegui ver aqueles moleques rindo e entrando num beco!
Me levantei meio cambaleante e exausto, mas eu não iria desistir de jeito nenhum! Entrei sorrateiramente no beco, tentando disfarçar ao máximo minha respiração ofegante. Adentrei naquele buraco escuro, mal conseguia ver onde pisava, mas fazia um esforço danado para não fazer barulho. ia me guiando pelas risadas e pelos comentários dos dois.
- Hahaha! Você viu aquele idiota!
- É trouxa mesmo! O filho da puta ainda queria vir atrás da gente.
- Ele que tente, quero só ver ele achar 'nóis'.
- Viu como ele caiu? Otário!
- Vi! Hahaha... Aquele não levanta mais...
Fui me aproximando, me aproximando, me aproximando... até que me dei conta; -"E se esse moleques forem mais perigosos do que eu penso?" Peguei a pedra mais pesada que eu achei no chão, um paralelepípedo de pavimentação e quando consegui vê-los, estavam sob a luz de uma lâmpada improvisada de um local já preparado para isso, cheguei mais perto e fui preparando a emboscada, mas não consegui pensar em nada melhor que :
- Parados, Polícia! - Tsc, tsc, tsc... Lamentável... Mas foi o suficiente para um dele exitar e baixar as mãos. Mas o outro se virou e viu que era eu.
- Ei, é você? - Disse, virando o outro para que me visse.
Nesse momento foi a única vez que eu vi seu rosto mais detalhadamente. Sua feição era de medo, mas também era de alguém que, embora não quisesse fazer, faria qualquer coisa para sobreviver. Enquanto eu observava seu rosto eu reparei num brilho diferente surgindo mais embaixo. Aquele filho da puta iria levantar uma arma. Não dessa vez! "Tum!" Acertei sua cabeça com aquele paralelepípedo tão pesado. Pus toda a minha força, era uma questão de vida ou morte, mas era também uma questão pessoal, uma r aiva incontida coma a injustiça. No mesmo movimento que eu fiz para acertá-lo nós dois caimos, ele ainda tentou me acertar um tiro antes de eu começar a pilar a sua cabeça com a pedra, até não não sobrasse mais nada rosto que eu havia visto. Mais nada de vida... Ouvi um barulho de coisas sendo derrubadas, era o outro menino fugindo.
Diante do ocorrido eu tive um choque de realidade. Eu havia matado alguém. Eu vagava pelas ruas pensando no quão errado era o que eu havia feito. Será que aqueles meninos eram realmente tão ruins? Será que eu não faria o mesmo na condição deles? Não tinha tempo de devanear à respeito, tinha que sair dali. Achei uma poça d'água e lavei as mãos e o rosto, mas não era o suficiente. Limpei as mãos na camisa, o máximo que pude, e vesti de novo o paletó, um pouco molhado porque havia caído no chão durante a briga. Sai rapidamente, não antes de pegar a arma do menino e levar comigo, não sabia mais o que eu poderia esperar dali.
Depois de um tempo "vagando pelos becos" , olhei para cima e vi o luminoso de neón vermelho;
"RIVIERA"
Estava andando na maior tranquilidade pela rua, ainda esta encantado pela complexidade, pela brutalidade e pela beleza dessa cidade perversa. Ah... São Paulo, como eu poderia ter vivido nela minha vida inteira e não tê-la conhecido como deveria?! Até aquele momento estava conhecendo um mundo novo, fascinante, brutal e viceral, mas, apenas como espectador. À partir dali eu passaria a fazer parte dele, das entranhas da cidade, como se ela estivesse me convidando para interagir, o que eu de fato queria, mas não tinha idéia de onde isso me levaria... e as coisas que isso me levaria a ver e a fazer.
Assim como no dia anterior fui caminhar pela região, pela minha "nova vizinhança". Sempre gostei de andar por aí e reparar nas pessoas, suas fisionomias dizem muito à respeito delas. Mas, claro, não é de bom tom um sujeito ficar encarando as pessoas pela rua, por isso sempre me contive, mas aqui, me parece não fazer a menor diferença.
De repente, quando estava passando por uma praça, tive de encarar, de forma mais realista do jamais havia, a cara violenta da cidade.
- Aí, maluco, 'mim' dá a carteira!
- Vai logo mano, dá logo essa merda, filho da puta! - Me disseram dois pivetes, aos gritos, socos e pontapés.
Com o empurrão, que um deles me deu, eu cai e cortei a mãao numa cesta de lixo. Nunca antes havia sido assaltado, fiquei realmente apavorado, mas não podia deixar barato. Minha carteira era meu passaporte para esse mundo novo, sem ela eu estaria perdido. Tinha que pegá-la de volta! Assim que me levantei já tirei o paletó, o enrolei na mão e me pus a correr atrás daqueles "ladrõesinhos" desgraçados!
Já estava escuro e eles eram muito mais hábeis que eu naquele ambiente, mas a raiva era tanta que eu não desistia!
Mesmo naquela correria toda eu rearava na cara das pessoas, parecia inacreditável ver alguém reagindo e perseguindo aqueles moleques, era quase uma inversão de valores, quase como se eu não tivesse direito de reagir.
E eu continuava correndo, embora eu já estivesse ficando cansado, tão cansado que não consegui desviar de um pontapé que recebi. Foi de um outro garoto que passava pela rua, talvez dois outros dois, quem sabe? Ou, talvez, fosse só um defesa da "categoria". Esse tipo de atividade tem sindicato?! Sei lá! Só sei que cai, cinematograficamente, em cima da grade de um vendedor ambulante de DVDs. Foi DVD para todo lado! E ainda bati as costas num poste, fui xingado pra caramba... Deitado após a queda eu consegui ver aqueles moleques rindo e entrando num beco!
Me levantei meio cambaleante e exausto, mas eu não iria desistir de jeito nenhum! Entrei sorrateiramente no beco, tentando disfarçar ao máximo minha respiração ofegante. Adentrei naquele buraco escuro, mal conseguia ver onde pisava, mas fazia um esforço danado para não fazer barulho. ia me guiando pelas risadas e pelos comentários dos dois.
- Hahaha! Você viu aquele idiota!
- É trouxa mesmo! O filho da puta ainda queria vir atrás da gente.
- Ele que tente, quero só ver ele achar 'nóis'.
- Viu como ele caiu? Otário!
- Vi! Hahaha... Aquele não levanta mais...
Fui me aproximando, me aproximando, me aproximando... até que me dei conta; -"E se esse moleques forem mais perigosos do que eu penso?" Peguei a pedra mais pesada que eu achei no chão, um paralelepípedo de pavimentação e quando consegui vê-los, estavam sob a luz de uma lâmpada improvisada de um local já preparado para isso, cheguei mais perto e fui preparando a emboscada, mas não consegui pensar em nada melhor que :
- Parados, Polícia! - Tsc, tsc, tsc... Lamentável... Mas foi o suficiente para um dele exitar e baixar as mãos. Mas o outro se virou e viu que era eu.
- Ei, é você? - Disse, virando o outro para que me visse.
Nesse momento foi a única vez que eu vi seu rosto mais detalhadamente. Sua feição era de medo, mas também era de alguém que, embora não quisesse fazer, faria qualquer coisa para sobreviver. Enquanto eu observava seu rosto eu reparei num brilho diferente surgindo mais embaixo. Aquele filho da puta iria levantar uma arma. Não dessa vez! "Tum!" Acertei sua cabeça com aquele paralelepípedo tão pesado. Pus toda a minha força, era uma questão de vida ou morte, mas era também uma questão pessoal, uma r aiva incontida coma a injustiça. No mesmo movimento que eu fiz para acertá-lo nós dois caimos, ele ainda tentou me acertar um tiro antes de eu começar a pilar a sua cabeça com a pedra, até não não sobrasse mais nada rosto que eu havia visto. Mais nada de vida... Ouvi um barulho de coisas sendo derrubadas, era o outro menino fugindo.
Diante do ocorrido eu tive um choque de realidade. Eu havia matado alguém. Eu vagava pelas ruas pensando no quão errado era o que eu havia feito. Será que aqueles meninos eram realmente tão ruins? Será que eu não faria o mesmo na condição deles? Não tinha tempo de devanear à respeito, tinha que sair dali. Achei uma poça d'água e lavei as mãos e o rosto, mas não era o suficiente. Limpei as mãos na camisa, o máximo que pude, e vesti de novo o paletó, um pouco molhado porque havia caído no chão durante a briga. Sai rapidamente, não antes de pegar a arma do menino e levar comigo, não sabia mais o que eu poderia esperar dali.
Depois de um tempo "vagando pelos becos" , olhei para cima e vi o luminoso de neón vermelho;
"RIVIERA"
Escondi a arma num bueiro próximo e me dirigi ao local. Ainda meio tenso me apresentei e adentrei no recinto. Era um bordel dos mais decadentes, não me surpreenderia se fosse só um "negócio" de fachada.
- Boa noite, primeira vez na casa? - Disse a "cafetina", "gerente" ou qualquer coisa do tipo...
- É sim. - Olhando para todo canto, com medo de ser surpreendido por alguém.
- É sim. - Olhando para todo canto, com medo de ser surpreendido por alguém.
- Fique à vontade.
Entrei mais para me esconder e para tentar limpar a minha camisa ensanguentada e minha mão cortada e suja, uma infecção não seria nada legal.
Olhei em volta, e comecei à me sentir mais à vontade, mais confortável. Estava praticamente vazio e com algumas garotas, até que bonitas, apesar de bastante entediadas. Dentre elas destacava-se uma garota morena de cabelos encaracolados e um vestido branco, destacava-se sobretudo porque as outras estavam praticamente nuas.
- Olá, tudo bem? - Saiu meio enrolado por causa da pressa
- Olá! Prazer, Melissa.
- Vamos! - A interrompi, não tinha tempo e nem disposição de ficar papeando no meio do salão.
Paguei por um período de meia hora, me pareceu o suficiente para um banho, para lavar minha camisa e para passar a adrenalina. Já no quarto mal troquei duas palavras com a garota e já estava no chuveiro tentando lavar a minha camisa.
- O que você está fazendo?- Nada, só lavando minha camisa. Eu cortei a mão e ela ficou toda suja de sangue.- Não er bem uma mentira, só omiti o que aconteceu entre umas coisa e outra.
- Estranho... Porque você não deixa isso e vem aqui, meia hora passa rápido. - Mulher nenhuma gosta de ser ignorada.
- Já vou. É que eu preciso lavar isso aqui, não está saindo.
- Quer que eu ajude? Eu sei lavar muito bem.
- Não, não precisa. Não tem shampoo aqui?! - Hum, não por 40 contos...
- 'Peraí', você está fazendo errado! Deixe eu ajudar.
- Não, eu consigo! - Não sei em qual momento isso se tornou uma disputa de egos, mas iria ganhar!
- Nossa, está mesmo muito ensaguentado! Deixe que eu lavo, você não sabe o que está fazendo! - Disse tomando a camisa de minha mão.
- Então tá, pode lavar. - Perdi
Mas não é uma filha da puta?! Mulheres adorar contrariar. Aposto que se eu tivesse chegado e dito; -"Tô, lave aí minha camisa!", elacertamente irira dizer; -"Eu não, lave você! Sou puta não sua empregada!" Mas só porque eu não pedi ajuda ela estava toda solícita, toda disposta a ajudar, a mostrar que sabia mais que eu. Era até bonito de ver essa menina dedicada em fazer a minha camisa ficar branca. Pode parecer egoísta mas todo homem gosta de se sentir cuidado às vezes, às vezes... Muitaas mulheres confundem isso com uma superproteção sufocante. Mas com aquela garota eu não corria esse risco, era mais como uma "transação" de negócios.
- Você vai vestir ela assim toda molhada?!
- Não. Estava pensando em usar o paletó fechado e levar a camisa numa sacola.
- 'Estava' pensando? - Disse com um olhar, como se dissesse. -"Qual é, você acha que mora aqui?"
- É estava... Não era essa a minha intenção à princípio, mas, eu tive um dia difícil hoje...
- O que você quer dizer afinal? Aliás, seu tempo está acabando. - Ela não tinha idéia de como estava certa.
- O que quero dizer é que você é uma garota bonita, me tratou muito bem até agora, claro que eu sei que esse é seu trabalho e tudo...
É tão estranho ficar se justificando para alguém que você mal conhece, e como justificar uma ereção afinal de contas?! E nesse lugar ainda, justificativas são completamente desnecessárias...
- Nossa como você é estranho! - Estou começando a ter que concordar
- O que eu quero dizer é que mereço relaxar um pouco e ter uma boa noite de sono. Desça lá e diga que eu ficarei com o quarto a noite inteira, e com você também. Além do mais minha camisa já estará seca pela manhã...
******************************************************************************
(...) me lembrei do meu velho pai agora, velho miserável... Chega a ser desconcertante ver alguém tão vazio, tão sem esperança. É uma meio homem, é "um homem quebrado."* Viva me dizendo;-"O que você está fazendo parado aí?! Vá procurar o que fazer, você não vai querer ser um fracassado como eu!" Na verdade acho que eu estava tentando me defender, mas vendo agora, me parece que o que eu sempre quis foi ser igual a ele. Acho que hoje eu posso dizer; -"Deu certo." Estou tão fracassado quanto ele sempre se queixou de ser, aliás, queixar-se era tudo o que ele podia fazer. Isso deve significar alguma coisa... Ou não!
Acontece que as pessoas estão sempre procurando significado nas coisas mais insignificantes, numa tentativa desesperada de dar sentido a essa enorma perda de tempo e energia a qual chamamos de VIDA, SOCIEDADE, DESENVOLVIMENTO... -"Fulano de Tal sofreu um grave acidete e não morreu! Isso deve significar algo!" Não! Isso não significa nada, ou melhor isso significa aquelas uma coisa, ESTATÍSTICA. Se o tal Fulano tivesse 100% de chances de morrer ele teria morrido. Mas o povo é tão miserável que se recusa a aceitar que possa fazer parte de um grupo seleto e especial, o 1% que se salva. E é por isso que ninguém se salva! Estão sempre esperando por um salvador, estão sempre querendo transferir a responsabilidade de seus atos e das consequências de seus atos, ou mesmoa obrigação de fazer a vida dar certo, para as outras pessoas, para o governo, para o sistema, para um deus, para as drogas, todos menos eles... A muleta é o Messias! "Somos um grupo muito desprezível".*
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1 - Mensão a música do grupo Bee Gees interpretada por Al Green, "How Can You Mend A Broken Heart". -"How can you mend a broken man? How can a loser ever win?"
2 - Frase atribuída a Albert Einstein; -"Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível."
- Estranho... Porque você não deixa isso e vem aqui, meia hora passa rápido. - Mulher nenhuma gosta de ser ignorada.
- Já vou. É que eu preciso lavar isso aqui, não está saindo.
- Quer que eu ajude? Eu sei lavar muito bem.
- Não, não precisa. Não tem shampoo aqui?! - Hum, não por 40 contos...
- 'Peraí', você está fazendo errado! Deixe eu ajudar.
- Não, eu consigo! - Não sei em qual momento isso se tornou uma disputa de egos, mas iria ganhar!
- Nossa, está mesmo muito ensaguentado! Deixe que eu lavo, você não sabe o que está fazendo! - Disse tomando a camisa de minha mão.
- Então tá, pode lavar. - Perdi
Mas não é uma filha da puta?! Mulheres adorar contrariar. Aposto que se eu tivesse chegado e dito; -"Tô, lave aí minha camisa!", elacertamente irira dizer; -"Eu não, lave você! Sou puta não sua empregada!" Mas só porque eu não pedi ajuda ela estava toda solícita, toda disposta a ajudar, a mostrar que sabia mais que eu. Era até bonito de ver essa menina dedicada em fazer a minha camisa ficar branca. Pode parecer egoísta mas todo homem gosta de se sentir cuidado às vezes, às vezes... Muitaas mulheres confundem isso com uma superproteção sufocante. Mas com aquela garota eu não corria esse risco, era mais como uma "transação" de negócios.
- Você vai vestir ela assim toda molhada?!
- Não. Estava pensando em usar o paletó fechado e levar a camisa numa sacola.
- 'Estava' pensando? - Disse com um olhar, como se dissesse. -"Qual é, você acha que mora aqui?"
- É estava... Não era essa a minha intenção à princípio, mas, eu tive um dia difícil hoje...
- O que você quer dizer afinal? Aliás, seu tempo está acabando. - Ela não tinha idéia de como estava certa.
- O que quero dizer é que você é uma garota bonita, me tratou muito bem até agora, claro que eu sei que esse é seu trabalho e tudo...
É tão estranho ficar se justificando para alguém que você mal conhece, e como justificar uma ereção afinal de contas?! E nesse lugar ainda, justificativas são completamente desnecessárias...
- Nossa como você é estranho! - Estou começando a ter que concordar
- O que eu quero dizer é que mereço relaxar um pouco e ter uma boa noite de sono. Desça lá e diga que eu ficarei com o quarto a noite inteira, e com você também. Além do mais minha camisa já estará seca pela manhã...
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(...) me lembrei do meu velho pai agora, velho miserável... Chega a ser desconcertante ver alguém tão vazio, tão sem esperança. É uma meio homem, é "um homem quebrado."* Viva me dizendo;-"O que você está fazendo parado aí?! Vá procurar o que fazer, você não vai querer ser um fracassado como eu!" Na verdade acho que eu estava tentando me defender, mas vendo agora, me parece que o que eu sempre quis foi ser igual a ele. Acho que hoje eu posso dizer; -"Deu certo." Estou tão fracassado quanto ele sempre se queixou de ser, aliás, queixar-se era tudo o que ele podia fazer. Isso deve significar alguma coisa... Ou não!
Acontece que as pessoas estão sempre procurando significado nas coisas mais insignificantes, numa tentativa desesperada de dar sentido a essa enorma perda de tempo e energia a qual chamamos de VIDA, SOCIEDADE, DESENVOLVIMENTO... -"Fulano de Tal sofreu um grave acidete e não morreu! Isso deve significar algo!" Não! Isso não significa nada, ou melhor isso significa aquelas uma coisa, ESTATÍSTICA. Se o tal Fulano tivesse 100% de chances de morrer ele teria morrido. Mas o povo é tão miserável que se recusa a aceitar que possa fazer parte de um grupo seleto e especial, o 1% que se salva. E é por isso que ninguém se salva! Estão sempre esperando por um salvador, estão sempre querendo transferir a responsabilidade de seus atos e das consequências de seus atos, ou mesmoa obrigação de fazer a vida dar certo, para as outras pessoas, para o governo, para o sistema, para um deus, para as drogas, todos menos eles... A muleta é o Messias! "Somos um grupo muito desprezível".*
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1 - Mensão a música do grupo Bee Gees interpretada por Al Green, "How Can You Mend A Broken Heart". -"How can you mend a broken man? How can a loser ever win?"
2 - Frase atribuída a Albert Einstein; -"Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível."

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