quinta-feira, 28 de abril de 2011

42 - Mindstorming | São Paulo, 24 de Fevereiro de 2013, 04:16.

Follow 42Mindstorming on Twitter


São Paulo, 24 de Fevereiro de 2013, 04:16.

  Já dormindo profundamente, estava cansando pra caramba, não estava sendo nada fácil morar por ali. De repente sinto uma movimentação estranha no meu paletó, que estava usando como travesseiro. Acordei meio assustado, poderia ser um rato, odeio ratos! Eles transmitem doenças, e eu já tenho problemas demais!

  Para minha surpresa, embora não devesse ser, não era um rato. Eram três indivíduos nojentos, tão magros que se podia ver perfeitamente cada osso daquele corpo miserável e doentio, e com a pele tão cinza que pareciam estar mortos, ou quase. Não bastasse tudo isso se coçavam o tempo todo, cabeça, braços, rosto... Suas peles já estavam tão encrostadas que cada novo coçar abria uma velha ferida. Era uma sensação realmente angustiante.

  Não podia ficar ali só esperando, respirando o mesmo ar infectado que eles, foi uma péssima idéia desde o princípio. Então tomei coragem, tomei um último fôlego e se desse teria tomado uma caninha também, teve que ser a seco. Dei uma porrada cruzada, que me deu até um certo orgulho, bem na orelha de um deles.

- Que porra é essa?! Tirem essas mãos nojentas das minhas coisas senão...

  Não tive tempo para completar a frase. Levei um baque na nuca que pareceu ter sido com um cano de ferro. Fiquei grogue na hora. Logo dois agarraram meus braços e os puxaram para trás me imobilizando, não sabia o que ia acontecer mas já estava temendo pelo pior.

- Então você nos acha nojentos, não é?
- Falou com muita dificuldade e com uma voz áspera realmente horripilante. 

- O que vocês querem pegando minhas coisas?! - Não sei mesmo de onde saiu essa coragem fora de hora.
- O que você acha? Queremos suas coisas! É bom aprender que quando se está nas propriedades do "Rato" tudo é do "Rato".
- E o que ou quem é Rato?
- Eu sou o Rato! - Era um cara enorme de gordo e com um ego tão inflado que parecia ter "engolido" o mundo - E não estou gostando nada da sua atitude. Pode ser que tenhamos que botá-lo no seu lugar, mostrar quem é que manda.
- Se encostar em mim eu te mato! - Cale a boca porra! Sério, às vezes eu gostaria de me bater.
- Você me matar? Quando? Não parece que pode fazer isso agora. Marco, - ele acenou com a cabeça para um magrelo nojento que estava observando - Ele me parece estar com nojo da gente. Por que não vai lá dar boas vindas, talvez ele mude de idéia?

  Arrepia só de lembrar. Aquele magrelo escroto chegou bem perto de mim com aquela respiração pesada e tuberculosa e deu uma fungada bem no meu nariz. Depois abriu a boca, que parecia ter só uns três dentes, mostrou-a para mim e deu uma lambida no meu rosto.


- Argh! Pare com isso seu filho da puta! Eu te mato!
- Lá vem ele de novo com esse papo de matar. - Falou o Rato - Acha mesmo que tem algum poder aqui? Eu posso te matar!!! Ou acha que eu teria alguma dificuldade de enfiar essa faca no seu bucho? - Disse enquanto cortava minha bochecha num corte bem grosseiro com uma peixeira velha e enferrujada.
- Vá se foder! Se fizer qualquer coisa comigo eu estouro essa sua cabeça escrota! - Achei mesmo que ia botar medo nele.
- Ah é? E como vai fazer isso? Revistem ele! - Disse ordenando a um menino que estava por ali.
- Nada Rato! Esse cara está se borrando todo e ainda fica bancando o foda. Não tem nenhuma arma aqui. - Disse aquele moleque maldito.
- Olha, eu estou perdendo a paciência com sua falta de classe. Mentindo para mim, o Rato, que falta de educação... E ainda querendo me intimidar! Olha garoto, estou nessa há muito tempo, não tenho medo de você. Se eu enfiar essa seringa vazia no seu pescoço e apertar o êmbolo você já era! Sua coragem vai gradativamente derret
er junto com sua cara de mal, tornando-se uma feição de extremar dor e demência. - Ameaçou-me mostrando uma seringa bem nojenta.


- Nã...não... - É, nessa hora eu estava me borrando demais para bancar o herói.  
Vejam, a coragem sumiu! Onde será que ela está? Junto com seu rabo entre as pernas? - Vou admitir o Rato sabe amedrontar alguém - Está com medo da seringa vazia? E que tal agora? - Injetou a seringa num cara ofegante que estava agonizando no chão e tirou um pouco de sangue.
- O que... o que que é isso? O que vai fazer comigo?
- Isso é o que eu gosto de chamar de "coquetel de nóia". É um pouco de sífilis, um pouco de tuberculose, anemia, um pouco que cada droga conhecida e muito, mas muito HIV...
- Não! Por favor não faça isso! Eu imploro! Pode pegar o que você quiser, pelo amor de Deus!
- Hahaha... Deus? Olha aqui meu amigo, não há Deus aqui! Esse é o lugar onde Deus faz suas necessidades, ele não está nem aí para nós! E ele não manda aqui! Mas eu, por outro lado, mando. Esse é meu território, como disse, território do Rato! - Impressionante como a soberba o impedia de lamentar a condição deplorável em que viviam, ele era como o "Don Corleone" do lixo - Fico feliz pelos seus "presentes"... O que vai fazer quando eles o soltarem? - Disse olhando para a porta.
- Eu vou embora! Nunca mais volto aqui! Você nunca mais vai ter notícia minha. Eu juro!
- Claro que jura! Jura pelo Rato, e pela sua misericórdia... Soltem esse fedelho!

 Foi sentir o braço ser um pouco afrouxado que eu já saí correndo. Levei tapas, pontapés e cusparadas daqueles doentes escrotos! Fui caindo pelas escadas velhas e cheias de vagabundos. Logo estava fora, e corri para onde havia deixado as chaves do meu carro e a arma que peguei daquele trombadinha, por sorte ainda estavam lá. Fui para o meu carro e saí correndo dali.

 O filho da puta do Rato pegou minha carteira, não duraria muito ali sem ela. Não havia outro jeito, tinha que pegá-la de volta! Mas eu nunca entraria naquele lugar sozinho e desprevenido. Como eu disse odeio ratos, eles transmitem doenças!

 Fui cuidar do ferimento no rosto e juntar a "dedetização". Aquele "rato" ia sentir o gosto de chumbo quente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário